FOI JOÃO BATISTA A REENCARNAÇÃO DE ELIAS?

---------------------------------------------------------- Resposta:

 

Bem. Voltemo-nos às Escrituras e vejamos o que Ela tem a nos dizer a respeito de João Batista e de sua relação com o “Elias” prometido.


1) Malaquias profetizou a vinda de Elias, antes do grande e glorioso dia do Senhor (Ml 4:5);
 

2) O anjo Gabriel, ao profetizar o ministério de João Batista, afirmou que ele - JOÃO BATISTA - iria adiante do SENHOR no ESPÍRITO E PODER DE ELIAS (Lc 1:17);
 

3) Jesus identificou o cumprimento da profecia de Malaquias na pessoa e ministério de João Batista (Mt 11:14);
 

4) João Batista NEGOU ser ele fosse o profeta Elias (Jo 1:21).
 

Ora, onde está a verdade: na AFIRMAÇÃO de Jesus ou na NEGAÇÃO de João Batista? Afinal, João Batista é ou não o profeta Elias?
 

A resposta a esta indagação é esta: ambos, Jesus e João Batista falam a verdade. E aqui está a chave para o entendimento das Escrituras.
 

Observe que nas perguntas dos sacerdotes a João batista, o que se queria saber era exatamente a sua IDENTIDADE: QUEM ÉS TU? O CRISTO? ELIAS? O PROFETA? A todas essas possibilidades João respondeu: NÃO, NÃO SOU. Portanto, tratando-se da identidade de João, está resolvido: João não é Elias.
 

Quando, entretanto, Jesus afirma, dizendo que João é Elias que haveria de vir, não está a se referir à sua identidade enquanto pessoa, mas à sua identidade profética. É como que dissesse: João, enquanto profeta, é o cumprimento da profecia de Malaquias. Não é ele o próprio Elias, reencarnado, haja vista que para que houvesse encarnação – segundo o conceito antibíblico desta doutrina – seria necessário morrer-se, o que certamente não aconteceu a Elias. Este foi arrebatado, VIVO, para Deus.
 

Na verdade, João Batista – o último dos profetas veterotestamentário – foi enviado por Deus no espírito e poder de Elias. Isto é, foi movido pela mesma disposição, vigor, intrepidez, força e obstinação de Elias que João Batista profetizou a primeira vinda de Cristo.
 

Mas, e por que Elias, e não outro dos profetas? É porque Elias é símbolo do ministério profético do antigo testamento. Quando a Bíblia usa o termo Lei e Profetas (Mt 5:17) , faz referência aos livros de Moisés (pentateuco) e aos demais livros (proféticos). Quando o Senhor, no monte da transfiguração (Mt 17:4-5), recebeu a visita de Moisés e Elias, estes estavam ali para representarem o antigo testamento: a Lei (moisés) e os profetas (Elias). Por isso, interpôs o Pai a Pedro, dizendo: Este é o meu Filho amado... a Ele ouvi. Isto é, não deveria a igreja de Jesus Cristo, ali representada pelos apóstolos (Pedro, Tiago e João), construir três tendas para abrigar em seu seio a Cristo, a Lei e os Profetas. Pois a Lei e os Profetas profetizaram até João Batista (Lc 16:16). A igreja deveria tão somente ouvir a Jesus Cristo, a Graça - o novo testamento. Eis, aí, a própria Escritura definindo Elias como o represente do ministério profético.
 

Assim, Elias, numa linguagem profética, não quer dizer o Elias – o tesbita –, reencarnado, que voltaria para novamente profetizar. Antes, refere-se ao ministério profético, do qual era ele representante.
 

Inclusive, deve-se levar em consideração que o ministério de João Batista cumpriu em parte a profecia de Malaquias. Podemos dizer que foi apenas o cumprimento inicial, em menor escala, do seu verdadeiro e maior cumprimento nos últimos dias, antes do grande e glorioso dia do Senhor, como bem declarou o penúltimo profeta veterotestamentário. Estamos, portanto, diante de uma profecia de "duplo enfoque", cujo cumprimento acontece em dois momentos distintos: antes da primeira e segunda vinda de Cristo. Sendo o primeiro cumprimento a prefiguração do segundo.
 

Conforme o contexto de Malaquias 4, o grande e glorioso dia do Senhor cumprir-se-á, de fato, na segunda vinda de Cristo. Como se diz: aquele dia virá “ardendo como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como restolho; o dia que vem os abrasará... de sorte que não ficará nem raiz nem ramo” (4:1). “Elias”, portanto, há de vir preparando o caminho do Senhor, em Sua segunda vinda. Como? Mediante o ministério profético, representado por Elias.
 

No seu cumprimento parcial, João Batista carregava nos ombros este ministério, cumprindo-o até a morte. Nos últimos dias, tal ministério não será representado por um só homem. Pois, na era da igreja, a obra de Deus é feita por meio do corpo de Cristo, coletivamente. O ministério profético nesses últimos dias será por meio de muitas vozes proféticas, em vários lugares, à semelhança de João Batista, o qual via-se tão somente como “a voz do que clama no deserto” (Jo 1:23).
 

O ministério profético representado por Elias, pois, é simplesmente a voz de Deus, que clama nos desertos dos corações necessitados de Deus, preparando neles um caminho para o Senhor.
 

Em Cristo,


Bispo Alexandre Rodrigues.
 

 

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