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NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

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NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

Nem tudo que reluz é ouro!  Esse velho adágio popular traduz uma máxima ímpar: a verdade de que devemos “enxergar” mais do que os nossos olhos e sentidos podem ver e perceber.

A necessidade de ver o que realmente é a vida e do que verdadeiramente somos feitos não é apenas repetida de modo proverbial desde tempos remotos, como também foi cantada com outros versos e em outros “tons” pelo popular e saudoso Raul Seixas.

O maluco beleza, embora não seja uma referência utilizada nos púlpitos das imponentes e belas catedrais, cantou verdades (algumas verdades, não a Verdade) que todos precisam cantar, para não serem tomados de igual torpor como fora a velha geração, tomada pelo entorpecimento ludibriante do esplendor do ouro de tolo.

Hoje, também há quem chame de triunfo, vitória e sucesso as aparentes vantagens oferecidas pelo falso evangelho da prosperidade – o evangelho do lucro e da ganância.

No engano do ouropel, multidões, perdidas em seus devaneios, consomem desenfreadamente o “produto” vendido pelos marqueteiros e mercadores da religião, que, como no mito do “toque de Midas”, dizem transformar a miserável sorte do confiante pagador em bênçãos jamais vistas.

Compradores iludidos de um ouro utópico, tão tolos como tolo é o “ouro” por eles obtido! Estes são presas fáceis de homens cujas mentes estão corrompidas; homens privados da verdade que supõem que a piedade não passa de fonte de lucro e que, ao enganarem e serem enganados, não percebem que são escravos da ditadura do império das trevas: trevas que estão enraizadas e amalgamadas em suas opacas consciências.

Dizem os ilusionistas do positivismo: “ser pobre é pecado!” E, “se agradardes a Deus, ficareis ricos”.

Tola multidão! Comprou sem conhecer o ouro de tolo, ou – sabendo do real valor da lâmina de latão – pagou assim mesmo o preço do engano? Na confiança do saber, gerado no útero da aparência, com olhos viciados em ter, em possuir, em adquirir, não sabem que lhes falta o verdadeiro saber.

A verdadeira visão leva-nos além da aparência. Ela nos faz ver que a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes. A vida que temos ou a Vida em que estamos tem o poder de despertar a nossa consciência e nos ancorar firmemente na razão de nossas existências: Deus, que é a VIDA de todos nós.

É preciso ver... Ver que o real valor do homem não está no vil metal e menos ainda no cobre reluzente. É preciso enxergar que pelo lado de fora somos todos feitos de pó, e que um dia o pó ao pó tornará. Porém, no interior de cada vaso de barro, há um tesouro escondido – o verdadeiro ouro –, que, ao ser contemplado com os olhos da consciência iluminada e comparado à ilusão do alquimista, nos faz saber que nem tudo que reluz é ouro.

Josué Argôlo

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